Los Angeles · Londres · Inferno 1972 — 1979 Romance
Vol. I — Marigold Montefiore

É isso
que nos faz
garotas.

Romance de Marigold Montefiore
Isso não é nostalgia. É uma necrópsia — cinco garotas abertas sobre a mesa, a maquiagem ainda úmida, as lantejoulas ainda sangrando luz.
Conteúdo adulto · drogas · violência · fúria
Capítulo zero · A Banda

Cinco garotas. Um império de pó. Uma sentença.

TAINT não era um sonho adolescente — era um produto, fabricado em quartos de hotel com ventiladores girando sobre cinzeiros transbordando. Cinco meninas sem sobrenome, financiadas por um cartel que lavava cocaína em turnês mundiais. O contrato vinha com um cardápio: qual delas subiria primeiro ao quarto do produtor. Qual delas não voltaria.

Elas gritaram mesmo assim. Gritaram dentro dos microfones até furar estádios. Gritaram até o sonho americano sangrar pelo nariz. Este livro é o que sobrou depois que as luzes se apagaram, depois que os contratos queimaram, depois que a polícia fechou a última porta.

03 /

As Garotas —
santas, mártires, bruxas.

Cinco vitrais rachados
Santa
Carmen
Voz principal · Fúria
Carmen
A líder. Batom vinho, punho no ar, coração de brasa. Não foi corrompida — nasceu incendiada.
Santa
Mary Jane
Baixo · Hipersexualizada
Mary Jane
A musa de rosa desbotado. Filmada antes dos dezessete por olhos que nunca a olharam de fato.
Santa
Molly
Guitarra · Intelecto
Molly
A bruxa moderna. Lia Blake em camarins, escrevia manifestos em guardanapos e incendiou mais do que queria admitir.
Santa
Lucy
Teclado · Ingenuidade
Lucy
A noiva de gelo. Chegou dezessete e intacta; saiu sem idade. O disco branco era um vestido de casamento que ninguém reivindicou.
Santa
Crystal
Bateria · Perfeccionismo
Crystal
A última a falar, a primeira a cair. Seu assassinato fechou o livro — e abriu a lenda. O álbum póstumo ainda é o mais pesado.
04 /

Discografia da dor.

Quatro atos · um epitáfio
1973
The Killing of America Ato I · Grito contra a guerra

Primeiro disco. Três acordes, dois gritos e uma bandeira rasgada na capa. Gravado em doze dias, banido em três estados, esgotado em duas semanas. O punk que as emissoras chamaram de "histeria".

1975
No Coward Soul Is Mine Ato II · Bruxaria e revolta

Disco das bruxas. Letras roubadas de Emily Brontë e colocadas em cima de baixos de cocaína. Molly assume a caneta; Carmen assume o púlpito. A indústria começa a ter medo delas.

1977
St. Jude, the Patron Saint of Lost Causes Ato III · Depressão e introspecção

O disco que as transformou em santas. Gravação interrompida três vezes por overdoses. Vitrais rachados, órgãos de igreja e uma Lucy sussurrando o refrão principal como quem fecha um caixão.

1979
I Wish I Was a Girl Again Ato IV · Epitáfio fantasmagórico

Lançado sete meses depois do assassinato de Crystal. As quatro sobreviventes nunca mais tocaram juntas. A capa branca era uma certidão de óbito que vendeu seis milhões de cópias.

05 /

Tainted Kids —
os diários da parede.

Paredes de banheiro · zines · cartas
"Elas não foram salvas. Elas nos salvaram." — carta anônima · Detroit · '78
Minha mãe disse que mulher que grita é histérica. Liguei o toca-discos, botei TAINT no máximo e gritei junto. Ela não entrou no meu quarto por três dias. — diário · Liverpool · '76
MANIFESTO TAINTED KID N° 14 — somos as garotas que os pais não souberam formar. Somos o pó que sobra depois da festa. Somos cinco dedos na traqueia do sonho americano. — zine xerocada · San Francisco · '77
Cortei o cabelo igual ao da Carmen. Meu padrasto me deu um tapa. Voltei pro banheiro e cortei mais curto ainda. — parede de banheiro · CBGB · '78
Todo dia na escola desenhamos um coração sangrando na carteira. Quem apagar é dedo-duro. Quem não apagar é Tainted Kid pra sempre. — caderno confiscado · Rio de Janeiro · '79
"Eu queria ser uma garota de novo" — mentira. Ninguém quer voltar. A gente só quer ter sido ouvida na primeira vez. — recorte de fanzine · anônimo
Leia devagar. É sangue, não tinta.
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Primeira edição · capa dura · ilustrada